Blog focado em Geografia e em fatos e notícias contemporâneas, que compõem as Atualidades.
sexta-feira, 5 de novembro de 2021
domingo, 12 de agosto de 2018
Como outrora
Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/janiodefreitas/2018/08/como-outrora.shtml
Secretário de Defesa dos EUA vem acelerar acordos de ajuda
militar na região
12.ago.2018 às 2h00
A regressão se dá em mais vias do que vemos na política e em
outras paisagens do dia a dia brasileiro. Uma das vias não observadas tem hoje
um dia marcante, com a chegada do secretário de Defesa dos Estados Unidos ao
Brasil, sua parada inicial na América do Sul. O general James Mattis vem
acelerar o empenho americano de restabelecer os acordos "de cooperação
militar" com países da região.
O Acordo Militar Brasil-Estados Unidos foi extinto pelo
governo Geisel, em represália a atitudes do governo Jimmy Carter contra as
práticas de violência da ditadura. Em parte, Geisel aproveitava a ocasião para
encerrar uma presença de militares americanos que começava a ser perigosa para
o regime. Os militares da "missão militar americana" estavam nas
principais unidades do Exército, para uma assistência que nunca se limitou a
questões técnicas.
Os assistentes do acordo tiveram papel importante, de fato,
como doutrinadores políticos. Desde seus primeiros anos nos quartéis
brasileiros, colaboraram para reverter o nacionalismo difundido entre os
militares a partir da "batalha do petróleo", nos primeiros anos 1950,
com a decorrente criação da Petrobras.
Na mesma trilha, sua encoberta doutrinação contribuiu para a
formação, nas casernas, do movimento contra Getúlio e seu desenvolvimentismo. A
abundância atual de documentos oficiais americanos reduz ao ridículo os que
negavam a ação de americanos no preparo e na execução do golpe de 1964.
Por diferentes motivos, os acordos "de cooperação"
se extinguiram na América Latina, passada a série de golpes. A degradação e
depois o fim da União Soviética relaxaram a vigilância ativa dos Estados Unidos
na região. Até verem, já atrasados, que a China se reinventou mais uma vez.
Com Lula, o governo Obama tanto propôs a reassociação como a
encerrou em um curto-circuito inexplicado. Com Dilma, vigente ainda o
mal-estar, o governo Obama foi desmascarado em escutas clandestinas das
comunicações da presidente, espionagem cuja motivação também não foi
esclarecida. Com Temer, as portas se abriram.
Os americanos querem o controle da base de lançamento de
foguetes em Alcântara, Maranhão. As conversas a respeito, entre os dois governos,
estão adiantadas. O mesmo a respeito de maior oferta do pré-sal a empresas
privadas. Além disso, o governo Temer estuda a derrubada das restrições à
venda, pela Petrobras, de parte das suas áreas no pré-sal.
A cessão da Embraer à entrada dominante da Boeing, empresa
sob influência da Secretaria da Defesa, é outro item da reaproximação em
andamento. E, com a vinda do general Mattis, iniciam-se os entendimentos para
um plano de segurança regional, aproveitando a oportunidade implícita nos
atuais governantes de Brasil, Argentina, Colômbia e Chile, países a receberem o
secretário.
O Equador de Lenín Moreno, eleito pela esquerda e presidente
de direita, já fez com o governo Trump o acordo formulado pelo Pentágono, para
reativar a "cooperação militar" prevista no plano de segurança.
Contra que ameaças aos países procurados, isso os militares
sul-americanos vão aprender nos cursos em bases americanas, como outrora era
feito na "Escola das Américas" no Panamá, e na "assistência
técnica" em seus próprios quartéis, também como outrora.
Janio de Freitas
Jornalista e membro do Conselho Editorial da Folha.
General Mourão, vice de Bolsonaro, mostra ignorância sobre índios e africanos
Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/reinaldojoselopes/2018/08/general-mourao-vice-de-bolsonaro-mostra-ignorancia-sobre-indios-e-africanos.shtml
Militar da reserva relacionou os amplos grupos étnicos à
indolência e malandragem
12.ago.2018 às 2h00
O general da reserva Antonio Hamilton Mourão (PRTB) iniciou
sua campanha de candidato a vice-presidente da República fazendo um diagnóstico
das mazelas hereditárias do Brasil que parece ter sido copiado de algum manual
de sociologia dos anos 1930.
“Temos uma certa herança da indolência, que vem da cultura
indígena”, pontificou ele em uma visita ao município de Caxias do Sul, no Rio
Grande do Sul, ressaltando as próprias origens ameríndias —“Meu pai é
amazonense”.
Completou o raciocínio dizendo que “a malandragem é oriunda
do africano”.
Quando fiquei sabendo da fala de Mourão, um texto curioso,
escrito em 1723 por outro sujeito chamado Antonio (Pires de Campos, no caso),
veio-me à cabeça. Ei-lo:
“Vivem de suas lavouras, no que são incansáveis, e as
lavouras em que mais se fundam são mandiocas, algum milho e feijão, batatas,
muitos ananases, e singulares em admirável ordem plantados (…) muito asseados e
perfeitos em tudo que até as suas estradas fazem muito direitas e largas, e as
conservam tão limpas e consertadas que se lhe não achará nem uma folha.”
Essa cena de produtividade e asseio quase germânicos não foi
vista na Baviera, mas...entre índios da fronteira sul da Amazônia, em Mato
Grosso, no lugar que Pires de Campos apelidava de “Reino dos Parecis”.
Cadê a indolência?
A arqueologia, aliás, tem mostrado que essa cena pode ter
sido a regra, e não a exceção, antes que o futuro Brasil fosse conquistado
pelos lusos.
A atual Rondônia, por exemplo, tem se revelado um dos
principais berços da agricultura nas Américas (o cultivo de plantas pode ter
começado ali há uns 9.000 anos).
Outros povos construíram os grandes monumentos funerários
conhecidos como sambaquis no litoral; e grandes aldeias fortificadas, com
densas redes de estradas, cortavam regiões amazônicas hoje consideradas
“virgens”.
Falemos, então, da malandragem africana. Seria a malandragem
que levou guerreiros negros do atual Sudão a conquistar todo o orgulhoso Egito
dos faraós por volta de 700 a.C.?
Ou foi graças à malemolência que o povo shona, na Idade
Média, construiu a poderosa cidade de pedra do Grande Zimbábue, com tamanho e
complexidade que nada deviam às maiores cidades europeias medievais?
Tudo isso, é claro, para não mencionarmos outra questão
crucial: de quais índios ele está falando? (Ainda sobraram 150 línguas
indígenas no Brasil, mais diferentes entre si do que o árabe difere do chinês.)
De quais africanos? (Há mais de mil línguas na África
moderna.) Do ponto de vista cultural, é tudo a mesma coisa? (Não, nem de
longe.)
Para ser justo com o general, ele argumentou ainda que “a
herança do privilégio é uma herança ibérica”, e isso logo no começo de sua
fala. Em outras palavras, a culpa também seria dos portugueses folgados que
pariram nossa nação.
Ocorre, porém, que culturas humanas têm uma plasticidade
admirável —do contrário, dinamarqueses e noruegueses ainda estariam enforcando
criminosos em honra de Odin e saqueando monastérios na Irlanda, enquanto
Portugal e Espanha não teriam conseguido entrar (meio claudicantes, é verdade)
no rol das nações desenvolvidas.
Mudanças culturais como essas acontecem com base em
incentivos e oportunidades.
Em vez de papagaiar essencialismo étnico, o general e seu
mítico companheiro de chapa poderiam gastar um pouco mais de tempo pensando em
como fomentar esses fatores de mudança.
Reinaldo José Lopes
Jornalista especializado em biologia e arqueologia, autor de
"1499: O Brasil Antes de Cabral".
segunda-feira, 9 de julho de 2018
RJ, DF, SP e PA dominam ranking das 20 favelas mais populosas, diz IBGE; Rocinha lidera
Ver: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2011/12/21/rj-df-sp-e-pa-dominam-ranking-das-20-favelas-mais-populosas-diz-ibge-lider-e-a-rocinha.htm
Porto de Paranaguá recebe 52 blindados doados ao Exército Brasileiro
Ver: https://paranaportal.uol.com.br/cidades/porto-de-paranagua-recebe-52-blindados-doados-ao-exercito-brasileiro/
EUA deixaram 80 milhões de bombas não detonadas no Laos
Os EUA lançaram o equivalente a um avião carregado de bombas no Laos a cada oito minutos durante nove anos.
Ver: http://www.aereo.jor.br/2016/09/09/eua-deixaram-80-milhoes-de-bombas-nao-detonadas-no-laos/
Ver: http://www.aereo.jor.br/2016/09/09/eua-deixaram-80-milhoes-de-bombas-nao-detonadas-no-laos/
Maioria dos árabes é muçulmana. Mas maioria dos muçulmanos não é árabe
Religião nasceu no mundo árabe. Hoje, maior número de seguidores está na Ásia, em países como Indonésia, Bangladesh e Índia
sábado, 16 de junho de 2018
Boicotado, Irã compra uniforme para jogar Copa do Mundo
Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2018/06/boicotado-ira-compra-uniforme-para-jogar-copa-do-mundo.shtml
Embargo americano fez a Federação Iraniana recorrer a outro
fornecedor
16.jun.2018 às 20h10
Fábio Aleixo
MOSCOU
Para disputar a sua quinta Copa do Mundo, o Irã precisou
comprar uniformes para jogar. Todas as peças que compõem a vestimenta da equipe
asiática são adquiridas da fabricante Adidas.
A informação foi confirmada à Folha pela Federação Iraniana
de Futebol, que evitou dar mais detalhes sobre o caso. No site oficial da
entidade, não existe nenhuma exibição do logotipo da Adidas.
Para vestir a seleção brasileira, por exemplo, a Nike pagou
em 2017 R$ 116 milhões.
Os iranianos, porém, não reclamam da cobrança da Adidas. A
empresa alemã tem ajudado a equipe nacional a driblar um problema causado pelas
sanções econômicas dos Estados Unidos.
Forneceu chuteiras aos atletas da equipe após a Nike se
recusar a fazê-lo devido ao embargo americano.
A recusa da Nike irritou o técnico Carlos Queiroz e diversos
atletas da seleção.
“O que a Nike fez conosco foi muito errado”, disse o
atacante Karim Ansarifard. “Eu não quero comentar muito esse assunto, mas, como
jogador de futebol, nós não comparamos problemas políticos e diplomáticos com o
esporte".
“É algo totalmente injusto contra 23 garotos que só querem
jogar futebol. Eles merecem ser tratados como qualquer outro jogador no mundo”,
disse Queiroz.
Em nota, a empresa afirmou que “as sanções dos Estados
Unidos fazem com que a Nike, como uma empresa americana, não possa fornecer
chuteiras para os jogadores do Irã”.
Em maio, o presidente americano, Donald Trump, anunciou a
retirada do país do acordo nuclear com Teerã. Com isso, derrubou o alívio das
sanções econômicas ao país asiático, que valia desde 2015.
Com o Irã no portfólio, a Adidas é a empresa que mais tem representantes
na Copa do Mundo. São 12 seleções —incluindo o Irã—, superando a Nike, que
veste dez seleções.
O ranking ainda tem Puma (4), New Balance (2), Uhlsport (1),
Hummel (1), Umbro (1) e Errea (1).
A Adidas também é patrocinadora oficial da Fifa há 20 anos.
Antes disso, já produzia a bola do Mundial desde 1970, no México.
A última renovação de contrato entre Fifa e Adidas foi em
2014 e é válida até 2030. Os valores são mantidos em sigilo, mas por ser uma
parceira de grau máximo a estimativa é que desembolse cerca de US$ 44 milhões
(R$ 164 milhões) por ano.
sexta-feira, 15 de junho de 2018
Macedônia passará a se chamar Macedônia do Norte
Intenção da mudança é eliminar qualquer possível com relação
com a região homônima no norte da Grécia e seus habitantes
Por EFE access_time 15 jun 2018, 18h51 - Publicado em 12 jun
2018, 15h42 more_horiz
Ver em: https://exame.abril.com.br/mundo/macedonia-passara-a-se-chamar-do-macedonia-do-norte/
quarta-feira, 6 de junho de 2018
A Petrobras corre real perigo
Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/eliogaspari/2018/06/a-petrobras-corre-real-perigo.shtml
Desde a crise dos caminhoneiros nada aconteceu de bom com a empresa
6.jun.2018 às 2h00
A Petrobras arruinou-se no mandarinato petista por diversos motivos. Deles, o mais pueril foi a retórica da arrogância. Infelizmente, dela e do governo têm partido declarações destinadas a iludir a boa-fé do público fingindo desconhecer a barafunda criada pela política de preços dos combustíveis. Podiam ficar só nisso.
A retórica da arrogância foi exercitada à exaustão pelos petrocomissários. Basta que se recapitule um caso. Em 2012, um funcionário da companhia holandesa SBM denunciou suas maracutaias internacionais. Elas foram confirmadas por uma investigação interna que resultou numa indenização milionária ao governo holandês.
Sabia-se, pela denúncia, que a SBM teria distribuído pelo menos US$ 139 milhões a intermediários e hierarcas da estatal brasileira para azeitar contratos de aluguel de plataformas.
Dois anos depois, uma equipe da Petrobras foi à Holanda verificar o caso e anunciou-se que nada acontecera de anormal. Engano, pois a SBM começaria a negociar um acordo de leniência com a Controladoria Geral da União. Até hoje ele não foi concluído.
Entre 2012 e 2015 foram para a cadeia o ex-diretor Renato Duque e o ex-gerente Pedro Barusco, ambos mimados pela SBM. O representante da empresa no Brasil, Julio Faerman, passou a colaborar com a Justiça e repatriou US$ 54 milhões.
Varrida pela Lava Jato, a doutora Dilma colocou na Petrobras Aldemir Bendine, que estava no Banco do Brasil. Ele levou consigo para uma diretoria Ivan Monteiro. Num dos lances grotescos do período, Bendine chegou a anunciar que a Petrobras "talvez" voltasse a contratar serviços e equipamentos da SBM, "uma importante fornecedora". Como, não explicou.
A retórica da arrogância era um pastel de vento. Não havia como esconder a roubalheira denunciada em 2012, e em 2015 não era possível contratar a SBM para coisa alguma.
Na segunda-feira, o repórter Rubens Valente revelou que em 2016 o diretor Ivan Monteiro foi investigado pela Comissão de Valores Imobiliários.
Tratava-se de um caso de omissão de comunicado de fato relevante ao mercado. Monteiro propôs pagar R$ 200 mil à CVM, e em setembro passado fechou-se o caso. O ervanário não saiu do seu bolso, mas da seguradora que ampara a diretoria da empresa. (O ex-diretor financeiro da Petrobras durante o mandarinato petista fez pelo menos quatro acordos desse tipo, somando R$ 1,75 milhão.)
Exposto o caso de Monteiro com a CVM, a Petrobras tocou o velho realejo: "não houve qualquer condenação da CVM ou reconhecimento de culpa de parte do senhor Ivan Monteiro, tendo a autarquia concordado com celebração de termo de compromisso, procedimento utilizado e previsto em nome, aplicável ao caso".
Noves fora o mau português, ninguém havia dito que Monteiro foi condenado, nem que reconheceu culpa. Apenas deixou de fazer o que devia. Tanto foi assim que propôs pagar R$ 200 mil à CVM, com dinheiro da seguradora. Ninguém dá R$ 200 mil à Viúva a troco de nada.
O escritor mexicano Octavio Paz ensinou, faz tempo: "Quando uma sociedade se corrompe, a primeira coisa que se decompõe é a linguagem."
*
Nas próximas quatro quartas-feiras, o signatário exercitará o ócio.
Elio Gaspari
Jornalista, autor de 5 volumes sobre a história do regime militar, entre eles 'A Ditadura Encurralada'
Desde a crise dos caminhoneiros nada aconteceu de bom com a empresa
6.jun.2018 às 2h00
A Petrobras arruinou-se no mandarinato petista por diversos motivos. Deles, o mais pueril foi a retórica da arrogância. Infelizmente, dela e do governo têm partido declarações destinadas a iludir a boa-fé do público fingindo desconhecer a barafunda criada pela política de preços dos combustíveis. Podiam ficar só nisso.
A retórica da arrogância foi exercitada à exaustão pelos petrocomissários. Basta que se recapitule um caso. Em 2012, um funcionário da companhia holandesa SBM denunciou suas maracutaias internacionais. Elas foram confirmadas por uma investigação interna que resultou numa indenização milionária ao governo holandês.
Sabia-se, pela denúncia, que a SBM teria distribuído pelo menos US$ 139 milhões a intermediários e hierarcas da estatal brasileira para azeitar contratos de aluguel de plataformas.
Dois anos depois, uma equipe da Petrobras foi à Holanda verificar o caso e anunciou-se que nada acontecera de anormal. Engano, pois a SBM começaria a negociar um acordo de leniência com a Controladoria Geral da União. Até hoje ele não foi concluído.
Entre 2012 e 2015 foram para a cadeia o ex-diretor Renato Duque e o ex-gerente Pedro Barusco, ambos mimados pela SBM. O representante da empresa no Brasil, Julio Faerman, passou a colaborar com a Justiça e repatriou US$ 54 milhões.
Varrida pela Lava Jato, a doutora Dilma colocou na Petrobras Aldemir Bendine, que estava no Banco do Brasil. Ele levou consigo para uma diretoria Ivan Monteiro. Num dos lances grotescos do período, Bendine chegou a anunciar que a Petrobras "talvez" voltasse a contratar serviços e equipamentos da SBM, "uma importante fornecedora". Como, não explicou.
A retórica da arrogância era um pastel de vento. Não havia como esconder a roubalheira denunciada em 2012, e em 2015 não era possível contratar a SBM para coisa alguma.
Na segunda-feira, o repórter Rubens Valente revelou que em 2016 o diretor Ivan Monteiro foi investigado pela Comissão de Valores Imobiliários.
Tratava-se de um caso de omissão de comunicado de fato relevante ao mercado. Monteiro propôs pagar R$ 200 mil à CVM, e em setembro passado fechou-se o caso. O ervanário não saiu do seu bolso, mas da seguradora que ampara a diretoria da empresa. (O ex-diretor financeiro da Petrobras durante o mandarinato petista fez pelo menos quatro acordos desse tipo, somando R$ 1,75 milhão.)
Exposto o caso de Monteiro com a CVM, a Petrobras tocou o velho realejo: "não houve qualquer condenação da CVM ou reconhecimento de culpa de parte do senhor Ivan Monteiro, tendo a autarquia concordado com celebração de termo de compromisso, procedimento utilizado e previsto em nome, aplicável ao caso".
Noves fora o mau português, ninguém havia dito que Monteiro foi condenado, nem que reconheceu culpa. Apenas deixou de fazer o que devia. Tanto foi assim que propôs pagar R$ 200 mil à CVM, com dinheiro da seguradora. Ninguém dá R$ 200 mil à Viúva a troco de nada.
O escritor mexicano Octavio Paz ensinou, faz tempo: "Quando uma sociedade se corrompe, a primeira coisa que se decompõe é a linguagem."
*
Nas próximas quatro quartas-feiras, o signatário exercitará o ócio.
Elio Gaspari
Jornalista, autor de 5 volumes sobre a história do regime militar, entre eles 'A Ditadura Encurralada'
Candidatura seria pela honra de Deus, diz mãe PM que matou ladrão
Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/06/candidatura-seria-pela-honra-de-deus-diz-mae-pm-que-matou-ladrao.shtml
Admiradora de Bolsonaro e Tiririca, cabo Katia Sastre tem convites de PR e PSL para tentar a Câmara
6.jun.2018 às 2h00
Anna Virginia Balloussier
SÃO PAULO
—A pastora da Assembleia de Deus que frequenta já lhe havia dado a letra: “Você vai ficar conhecida”. Katia Sastre, 42, só não imaginava que seria por apertar o gatilho.
A cabo da Polícia Militar conta ter orado pela família de Elivelton Neves Moreira, 21. Matou-o após ele sacar seu revólver calibre 38 e anunciar um roubo na porta da escola da filha de 7 anos de Katia, no domingo de Dia das Mães, em Suzano (Grande São Paulo).
Lá pela uma da manhã, Katia alguém da equipe do governador Márcio França (PSB) telefonou: ele queria homenageá-la na segunda-feira.
Do pré-candidato à reeleição ganhou flores. Já o episódio todo lhe rendeu aplausos, daqueles que exaltaram a reação ligeira da PM de folga, e críticas, de quem viu ali uma ode à letalidade policial.
Passadas três semanas, a PM recebeu a Folha no batalhão onde trabalha na área administrativa, na zona leste paulistana. Um oficial passa e se desculpa: na correria, não deu tempo de lhe dar parabéns, mas ficou feliz em saber que ela pode “representar as mulheres” na Câmara dos Deputados. A visão feminina “é mais ampla” e “isso é top”, diz a uma das 19 mulheres num batalhão com 300 homens.
Após o episódio que lhe trouxe fama, por lá pululam menções a uma eventual a carreira política da cabo Katia.
“[Deputada] federal, né?”, pergunta um. Ela acena. Também explica que a legislação eleitoral não exige que o militar da ativa de olho num cargo eletivo siga o prazo dado aos demais candidatos para se filiar a um partido, 7 de abril.
O militar pode registrar a candidatura após ter seu nome escolhido numa convenção partidária as de 2018 vão de 20 de julho a 5 de agosto.
A filha de um PM mineiro e uma professora paulista diz que ainda não decidiu qual sigla chamar de sua. Ainda avalia se Brasília é ou não para ela. Esteve com Valdemar Costa Neto, líder do PR, na semana passada. A legenda dá como certo lançá-la à Câmara.
Também foi convidada a entrar no PSL de Jair Bolsonaro, “uma ótima pessoa” a quem diz admirar. Juntos gravaram um vídeo no Congresso. “O que sonhamos aqui, Katia, é fazer com que o policial —não apenas o policial, um cidadão de bem também—, ao agir em situação semelhante à sua, tenha garantia de que foi legítima defesa, não tenha punição”, diz o presidenciável.
Ela ri quando Bolsonaro repete uma de suas frases de efeito: uma “pistola na bolsa protege muito mais a mulher do que a Lei do Feminicídio”.
Outras inspirações políticas citadas pela PM são do PR: os deputados Tiririca, que lhe parece um cara honesto, e Capitão Augusto, PM como ela.
Se não crava para onde vai, Katia sabe com que vai: Deus. “Se eu realmente me candidatar, Ele tem a ver com isso.” E reforça: “Não esqueça de colocar que tudo isso é a mão de Deus, é pela honra de Deus”.
Katia sorri ao saber que a Câmara tem um culto semanal para parlamentares, às quartas, em um de seus plenários. Seu comandante conta que, na terça seguinte à tentativa de assalto, oficiais do batalhão oraram um Pai Nosso.
Continuam frescas as lembranças de Katia sobre o 12 de maio —Dia das Mães e também da PM Feminina. De manhã, ganhou das filhas de 7 e 2 anos presentes que ela mesma escolheu: “Um sapato meio social, de oncinha, uma camisa preta com pedras na manga e uma bolsa Victor Hugo”.
A mãe tomou café, e a primogênita, Nescau. Ensaiaram no carro uma canção que seria apresentada no colégio logo mais, “Promete”, da Ana Vilela. Diz a letra: “Promete aproveitar cada segundo desse tempo que já passa tão veloz”.
Veloz passou também o tempo que teve para reagir ao rapaz que empunhou a arma e disparou. “Na hora que vi, pensei: ‘Bom, se não tomar uma atitude, vou morrer na frente da minha filha’. E outras crianças podiam morrer.”
Dentro da bolsa nova, Katia levava a arma que tem permissão para portar. “Se ele revistasse e achasse, ia me matar com certeza, eu não teria uma segunda chance”, ela afirma.
A homenagem de França à cabo foi reprovada inclusive na cúpula da PM, que viu nela um incentivo às pessoas reagirem a assaltos —o contrário do que a instituição recomenda. Especialistas em segurança pública, em geral, concordaram que Katia agiu corretamente, dado o contexto.
“Eu que pedi socorro [para o ladrão]. A intenção era paralisar, não executar”, diz a PM.
Críticas à sua conduta não a abalam, diz. “Tive que tomar uma ação em dois segundos. Já as pessoas vão ter uma vida inteira para assistir ao vídeo infinitas vezes e dizer o que eu deveria ter feito.”
Também formada em arquitetura, engenharia de segurança e decoração de interiores, fora o papel de “mãe protetora louca”, ela é PM há duas décadas. Participou de operações nas ruas de 1997 a 2004.
Ela prefere não revelar se já usou a arma antes, em serviço ou fora dele. “Se quiser, fala que eu participei de ocorrências de inúmeras naturezas.”
De uma tem orgulho de falar: o parto que ajudou a realizar numa viatura, conta enquanto a TV do batalhão exibe uma reportagem sobre a socialite Kim Kardashian ter ganhado “27 kg na gravidez”
Admiradora de Bolsonaro e Tiririca, cabo Katia Sastre tem convites de PR e PSL para tentar a Câmara
6.jun.2018 às 2h00
Anna Virginia Balloussier
SÃO PAULO
—A pastora da Assembleia de Deus que frequenta já lhe havia dado a letra: “Você vai ficar conhecida”. Katia Sastre, 42, só não imaginava que seria por apertar o gatilho.
A cabo da Polícia Militar conta ter orado pela família de Elivelton Neves Moreira, 21. Matou-o após ele sacar seu revólver calibre 38 e anunciar um roubo na porta da escola da filha de 7 anos de Katia, no domingo de Dia das Mães, em Suzano (Grande São Paulo).
Lá pela uma da manhã, Katia alguém da equipe do governador Márcio França (PSB) telefonou: ele queria homenageá-la na segunda-feira.
Do pré-candidato à reeleição ganhou flores. Já o episódio todo lhe rendeu aplausos, daqueles que exaltaram a reação ligeira da PM de folga, e críticas, de quem viu ali uma ode à letalidade policial.
Passadas três semanas, a PM recebeu a Folha no batalhão onde trabalha na área administrativa, na zona leste paulistana. Um oficial passa e se desculpa: na correria, não deu tempo de lhe dar parabéns, mas ficou feliz em saber que ela pode “representar as mulheres” na Câmara dos Deputados. A visão feminina “é mais ampla” e “isso é top”, diz a uma das 19 mulheres num batalhão com 300 homens.
Após o episódio que lhe trouxe fama, por lá pululam menções a uma eventual a carreira política da cabo Katia.
“[Deputada] federal, né?”, pergunta um. Ela acena. Também explica que a legislação eleitoral não exige que o militar da ativa de olho num cargo eletivo siga o prazo dado aos demais candidatos para se filiar a um partido, 7 de abril.
O militar pode registrar a candidatura após ter seu nome escolhido numa convenção partidária as de 2018 vão de 20 de julho a 5 de agosto.
A filha de um PM mineiro e uma professora paulista diz que ainda não decidiu qual sigla chamar de sua. Ainda avalia se Brasília é ou não para ela. Esteve com Valdemar Costa Neto, líder do PR, na semana passada. A legenda dá como certo lançá-la à Câmara.
Também foi convidada a entrar no PSL de Jair Bolsonaro, “uma ótima pessoa” a quem diz admirar. Juntos gravaram um vídeo no Congresso. “O que sonhamos aqui, Katia, é fazer com que o policial —não apenas o policial, um cidadão de bem também—, ao agir em situação semelhante à sua, tenha garantia de que foi legítima defesa, não tenha punição”, diz o presidenciável.
Ela ri quando Bolsonaro repete uma de suas frases de efeito: uma “pistola na bolsa protege muito mais a mulher do que a Lei do Feminicídio”.
Outras inspirações políticas citadas pela PM são do PR: os deputados Tiririca, que lhe parece um cara honesto, e Capitão Augusto, PM como ela.
Se não crava para onde vai, Katia sabe com que vai: Deus. “Se eu realmente me candidatar, Ele tem a ver com isso.” E reforça: “Não esqueça de colocar que tudo isso é a mão de Deus, é pela honra de Deus”.
Katia sorri ao saber que a Câmara tem um culto semanal para parlamentares, às quartas, em um de seus plenários. Seu comandante conta que, na terça seguinte à tentativa de assalto, oficiais do batalhão oraram um Pai Nosso.
Continuam frescas as lembranças de Katia sobre o 12 de maio —Dia das Mães e também da PM Feminina. De manhã, ganhou das filhas de 7 e 2 anos presentes que ela mesma escolheu: “Um sapato meio social, de oncinha, uma camisa preta com pedras na manga e uma bolsa Victor Hugo”.
A mãe tomou café, e a primogênita, Nescau. Ensaiaram no carro uma canção que seria apresentada no colégio logo mais, “Promete”, da Ana Vilela. Diz a letra: “Promete aproveitar cada segundo desse tempo que já passa tão veloz”.
Veloz passou também o tempo que teve para reagir ao rapaz que empunhou a arma e disparou. “Na hora que vi, pensei: ‘Bom, se não tomar uma atitude, vou morrer na frente da minha filha’. E outras crianças podiam morrer.”
Dentro da bolsa nova, Katia levava a arma que tem permissão para portar. “Se ele revistasse e achasse, ia me matar com certeza, eu não teria uma segunda chance”, ela afirma.
A homenagem de França à cabo foi reprovada inclusive na cúpula da PM, que viu nela um incentivo às pessoas reagirem a assaltos —o contrário do que a instituição recomenda. Especialistas em segurança pública, em geral, concordaram que Katia agiu corretamente, dado o contexto.
“Eu que pedi socorro [para o ladrão]. A intenção era paralisar, não executar”, diz a PM.
Críticas à sua conduta não a abalam, diz. “Tive que tomar uma ação em dois segundos. Já as pessoas vão ter uma vida inteira para assistir ao vídeo infinitas vezes e dizer o que eu deveria ter feito.”
Também formada em arquitetura, engenharia de segurança e decoração de interiores, fora o papel de “mãe protetora louca”, ela é PM há duas décadas. Participou de operações nas ruas de 1997 a 2004.
Ela prefere não revelar se já usou a arma antes, em serviço ou fora dele. “Se quiser, fala que eu participei de ocorrências de inúmeras naturezas.”
De uma tem orgulho de falar: o parto que ajudou a realizar numa viatura, conta enquanto a TV do batalhão exibe uma reportagem sobre a socialite Kim Kardashian ter ganhado “27 kg na gravidez”
segunda-feira, 4 de junho de 2018
Projeto tenta devolver vida ao Mar de Aral, destruído por planos soviéticos de irrigação
Desvio de água para plantações de algodão transformou uma
região próspera em uma área desolada e com altos índices de morte e doenças.
Agora, um grande e lento plano de reflorestamento tenta reverter isso.
BBC
Por BBC
04/06/2018 16h05
Atualizado 04/06/2018 16h05
Ver: https://g1.globo.com/natureza/noticia/projeto-tenta-devolver-vida-ao-mar-de-aral-destruido-por-planos-sovieticos-de-irrigacao.ghtml
sábado, 2 de junho de 2018
Raúl Castro comandará comissão para reformar Constituição de Cuba
Ideia é adaptar o texto, criado em 1976, às recentes
mudanças econômicas e sociais no país.
Agencia EFE
Por Agencia EFE
02/06/2018 14h07
Atualizado 02/06/2018 14h09
Ver: https://g1.globo.com/mundo/noticia/raul-castro-vai-comandar-comissao-para-reformar-constituicao-de-cuba.ghtml
sexta-feira, 1 de junho de 2018
Ricos de um lado, pobres do outro: fotos aéreas mostram desigualdades no mundo
1 junho 2018
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Em 2004, o fotógrafo Tuca Vieira capturou, para o jornal
Folha de S.Paulo, a imagem da favela de Paraisópolis encravada no abastado
bairro do Morumbi, na capital paulista. A foto, que ostentava um prédio com uma
piscina por andar ao lado de barracos de alvenaria, correu o mundo e virou
símbolo da desigualdade entre ricos e pobres.
Anos depois, o fotógrafo sul-africano John Miller usou um
drone para registrar em fotos e vídeos cenas de diferentes cidades do mundo
onde também há contrastes escancarados de áreas pobres e ricas.
Ver: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-44316691
quarta-feira, 9 de maio de 2018
"A história nunca se repete, mas há semelhanças entre 1964 e 2016"
Historiador da PUC de São Paulo expõe o componente eleitoral dos dois golpes, com base em pesquisas atuais e do passado
by Rodrigo Martins — published 09/05/2018 00h10, last modified 09/05/2018 10h26
Ver: https://www.cartacapital.com.br/revista/1002/a-historia-nunca-se-repete-mas-ha-semelhancas-entre-1964-e-2016/@@amp?__twitter_impression=true
terça-feira, 8 de maio de 2018
Gestão tucana afrouxa fiscalização de contrato de limpeza em São Paulo
Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/05/gestao-tucana-afrouxa-fiscalizacao-de-contrato-de-limpeza-em-sao-paulo.shtml
Criticados por zeladoria, Doria e Covas enfraqueceram vistoria dos trabalhos
8.mai.2018 às 2h00
Guilherme Seto
SÃO PAULO
As gestões João Doria e Bruno Covas, ambas do PSDB, tomaram medidas nos últimos meses que afrouxaram a fiscalização do trabalho das empresas de varrição de São Paulo, que mantêm contratos com a prefeitura próximos de R$ 1 bilhão por ano.
Fiscais municipais têm a atribuição de conferir se a varrição está adequada —incluindo remoção de entulho, lavagem de vias, capinação, pintura de guias, desobstrução de bueiros e bocas de lobo e manutenção de lixeiras.
Caso haja, por exemplo, acúmulo de lixo, eles devem avisar a empresa para que a situação seja resolvida no prazo definido em contrato. Se a situação não for solucionada, é elaborado documento determinando a aplicação de multa.
Os consórcios Soma e Inova são os responsáveis pela varrição. Como os contratos bilionários chegaram ao fim em dezembro, eles operam hoje com acordos emergenciais.
Em setembro de 2017, uma portaria assinada por Bruno Covas, então secretário de Prefeituras Regionais da gestão Doria, permitiu uma série de mudanças que desincentivam os fiscais a acompanharem os serviços de varrição.
Inicialmente, 71 agentes tinham a responsabilidade exclusiva de fiscalizarem os trabalhos dessas empresas. Com a portaria, eles foram incumbidos de também tratarem de outras centenas de infrações relacionadas a outros temas --como problemas de alvará e desníveis de calçadas.
A remuneração dos cerca de 400 fiscais municipais (incluindo aqueles 71) é composta de uma parte fixa e de outra variável, calculada a partir de pontos acumulados por fiscalizações das diversas demandas existentes. Mas a gestão tucana decidiu excluir dessa conta a fiscalização dos serviços das concessionárias.
A medida foi encarada como um desincentivo pelos fiscais —diversos colocaram a varrição como última prioridade.
Por fim, e mais recentemente, os relatórios e multas em papel foram substituídos por um aplicativo de fiscalização das empresas. Em algumas prefeituras regionais, a partir disso houve orientação para que os fiscais restrinjam seu trabalho às áreas que estão no cronograma semanal de serviços de varrição das ruas.
Diferentemente do que ocorria antes, quando os agentes podiam andar pela região em busca de irregularidades, agora eles passam nos trechos em que as empresas já passaram ou ainda passarão.
Sendo assim, as concessionárias de limpeza já sabem os locais onde serão fiscalizadas.
Esse combo de desincentivos tem tido um impacto direto sobre a fiscalização de contratos desde 2017.
A Folha solicitou à prefeitura, por meio de Lei de Acesso à Informação, a quantidade de boletins de fiscalização emitidos por fiscais em cada uma das prefeituras regionais da cidade no ano passado.
Os boletins são gerados a cada fiscalização feita, e não significam necessariamente que irregularidades foram encontradas, mas apenas que algum funcionário passou por ali.
Das 32 prefeituras regionais, 16 responderam ao pedido.
Entre janeiro e agosto, houve uma média mensal de 11.812 boletins gerados por esses funcionários. De setembro ao final do ano, essa média caiu para 8.785 mensais --resultado atribuído às mudanças implantadas.
"A partir da concessão, a única garantia que se tem de que os serviços serão cumpridos é o contrato. Se não houver fiscalização, corre-se o risco de receber um serviço aquém do combinado", diz Marco Antonio Teixeira, professor de gestão pública da FGV-SP (Fundação Getulio Vargas).
"O monitoramento tem função primordial. Quando a prefeitura decide que não fará determinado serviço, ela deve ter controle sobre o que contrata e paga com o dinheiro do contribuinte", afirma.
Doria --que saiu do cargo em abril para se candidatar ao governo do estado-- e Covas têm sido pressionados devido à sujeira na capital paulista.
Em 2017, a prefeitura varreu menos toneladas de lixo (93 mil) do que no último ano da gestão anterior (96 mil), de Fernando Haddad (PT), que já vinha sendo criticada na área.
Em entrevista à Folha, Covas reconheceu que a zeladoria "não estava como continua não estando no nível de excelência que nós desejamos".
Ainda segundo ele, o motivo para as dificuldades seriam as limitações financeiras.
"No ano passado [2017], o recurso para zeladoria era R$ 350 milhões. No último ano da gestão Kassab, o valor de recursos era de R$ 1,3 bilhão. Então, a gente tinha menos recurso, menos equipes. O que fizemos foi ampliar a produtividade", afirmou.
OUTRO LADO
A Secretaria das Prefeituras Regionais afirma, em nota, que não houve uma flexibilização da fiscalização.
Segundo a pasta ligada à gestão Covas, os agentes vistores citados retornaram em setembro aos seus cargos de origem na Coordenadoria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano para fiscalização de posturas municipais.
A secretaria diz que "outros servidores da administração municipal foram remanejados para realizar a fiscalização de contratos" na Coordenadoria de Projetos e Obras.
Em complemento, a Amlurb (Autoridade Municipal de Limpeza Urbana) diz que os fiscais do contrato sempre foram orientados a verificar a correta execução e qualidade dos serviços prestados pelas empresas de varrição.
O órgão afirmou à reportagem que a fiscalização "é realizada tanto de acordo com o plano de trabalho quanto de serviços demandantes --aqueles que não constam no cronograma e não têm lugar fixo, como a limpeza de pontos de descarte irregular".
O consórcio Soma disse que mudanças na fiscalização são responsabilidade de Amlurb. Questionado, o consórcio Inova não se pronunciou.
Criticados por zeladoria, Doria e Covas enfraqueceram vistoria dos trabalhos
8.mai.2018 às 2h00
Guilherme Seto
SÃO PAULO
As gestões João Doria e Bruno Covas, ambas do PSDB, tomaram medidas nos últimos meses que afrouxaram a fiscalização do trabalho das empresas de varrição de São Paulo, que mantêm contratos com a prefeitura próximos de R$ 1 bilhão por ano.
Fiscais municipais têm a atribuição de conferir se a varrição está adequada —incluindo remoção de entulho, lavagem de vias, capinação, pintura de guias, desobstrução de bueiros e bocas de lobo e manutenção de lixeiras.
Caso haja, por exemplo, acúmulo de lixo, eles devem avisar a empresa para que a situação seja resolvida no prazo definido em contrato. Se a situação não for solucionada, é elaborado documento determinando a aplicação de multa.
Os consórcios Soma e Inova são os responsáveis pela varrição. Como os contratos bilionários chegaram ao fim em dezembro, eles operam hoje com acordos emergenciais.
Em setembro de 2017, uma portaria assinada por Bruno Covas, então secretário de Prefeituras Regionais da gestão Doria, permitiu uma série de mudanças que desincentivam os fiscais a acompanharem os serviços de varrição.
Inicialmente, 71 agentes tinham a responsabilidade exclusiva de fiscalizarem os trabalhos dessas empresas. Com a portaria, eles foram incumbidos de também tratarem de outras centenas de infrações relacionadas a outros temas --como problemas de alvará e desníveis de calçadas.
A remuneração dos cerca de 400 fiscais municipais (incluindo aqueles 71) é composta de uma parte fixa e de outra variável, calculada a partir de pontos acumulados por fiscalizações das diversas demandas existentes. Mas a gestão tucana decidiu excluir dessa conta a fiscalização dos serviços das concessionárias.
A medida foi encarada como um desincentivo pelos fiscais —diversos colocaram a varrição como última prioridade.
Por fim, e mais recentemente, os relatórios e multas em papel foram substituídos por um aplicativo de fiscalização das empresas. Em algumas prefeituras regionais, a partir disso houve orientação para que os fiscais restrinjam seu trabalho às áreas que estão no cronograma semanal de serviços de varrição das ruas.
Diferentemente do que ocorria antes, quando os agentes podiam andar pela região em busca de irregularidades, agora eles passam nos trechos em que as empresas já passaram ou ainda passarão.
Sendo assim, as concessionárias de limpeza já sabem os locais onde serão fiscalizadas.
Esse combo de desincentivos tem tido um impacto direto sobre a fiscalização de contratos desde 2017.
A Folha solicitou à prefeitura, por meio de Lei de Acesso à Informação, a quantidade de boletins de fiscalização emitidos por fiscais em cada uma das prefeituras regionais da cidade no ano passado.
Os boletins são gerados a cada fiscalização feita, e não significam necessariamente que irregularidades foram encontradas, mas apenas que algum funcionário passou por ali.
Das 32 prefeituras regionais, 16 responderam ao pedido.
Entre janeiro e agosto, houve uma média mensal de 11.812 boletins gerados por esses funcionários. De setembro ao final do ano, essa média caiu para 8.785 mensais --resultado atribuído às mudanças implantadas.
"A partir da concessão, a única garantia que se tem de que os serviços serão cumpridos é o contrato. Se não houver fiscalização, corre-se o risco de receber um serviço aquém do combinado", diz Marco Antonio Teixeira, professor de gestão pública da FGV-SP (Fundação Getulio Vargas).
"O monitoramento tem função primordial. Quando a prefeitura decide que não fará determinado serviço, ela deve ter controle sobre o que contrata e paga com o dinheiro do contribuinte", afirma.
Doria --que saiu do cargo em abril para se candidatar ao governo do estado-- e Covas têm sido pressionados devido à sujeira na capital paulista.
Em 2017, a prefeitura varreu menos toneladas de lixo (93 mil) do que no último ano da gestão anterior (96 mil), de Fernando Haddad (PT), que já vinha sendo criticada na área.
Em entrevista à Folha, Covas reconheceu que a zeladoria "não estava como continua não estando no nível de excelência que nós desejamos".
Ainda segundo ele, o motivo para as dificuldades seriam as limitações financeiras.
"No ano passado [2017], o recurso para zeladoria era R$ 350 milhões. No último ano da gestão Kassab, o valor de recursos era de R$ 1,3 bilhão. Então, a gente tinha menos recurso, menos equipes. O que fizemos foi ampliar a produtividade", afirmou.
OUTRO LADO
A Secretaria das Prefeituras Regionais afirma, em nota, que não houve uma flexibilização da fiscalização.
Segundo a pasta ligada à gestão Covas, os agentes vistores citados retornaram em setembro aos seus cargos de origem na Coordenadoria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano para fiscalização de posturas municipais.
A secretaria diz que "outros servidores da administração municipal foram remanejados para realizar a fiscalização de contratos" na Coordenadoria de Projetos e Obras.
Em complemento, a Amlurb (Autoridade Municipal de Limpeza Urbana) diz que os fiscais do contrato sempre foram orientados a verificar a correta execução e qualidade dos serviços prestados pelas empresas de varrição.
O órgão afirmou à reportagem que a fiscalização "é realizada tanto de acordo com o plano de trabalho quanto de serviços demandantes --aqueles que não constam no cronograma e não têm lugar fixo, como a limpeza de pontos de descarte irregular".
O consórcio Soma disse que mudanças na fiscalização são responsabilidade de Amlurb. Questionado, o consórcio Inova não se pronunciou.
segunda-feira, 7 de maio de 2018
Paraguai seguirá exemplo dos EUA e mudará embaixada em Israel para Jerusalém
Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/05/paraguai-segue-exemplo-dos-eua-e-mudara-embaixada-em-israel-para-jerusalem.shtml
Presidente paraguaio deve abrir nova instalação diplomática até o fim deste mês
7.mai.2018 às 16h35
JERUSALÉM
O Paraguai transferirá sua embaixada em Israel para Jerusalém até o fim deste mês, anunciaram um porta-voz do governo paraguaio e o Ministério das Relações Exteriores israelense nesta segunda-feira (7).
A decisão segue exemplo dos Estados Unidos e da Guatemala.
“O presidente do Paraguai, Horacio Cartes, planeja vir a Israel até o final do mês para abrir uma embaixada em Jerusalém”, disse o porta-voz da chancelaria israelense, Emmanuel Nahshon, em um comunicado.
O governo paraguaio disse que Cartes prepara uma viagem a Israel nos dias 21 e 22. Diplomatas afirmaram à agência de notícias AFP que o processo da mudança está em andamento e que ele poderia participar da inauguração, junto com o presidente eleito, Mario Abdo Benítez.
O anúncio acontece uma semana antes da abertura da embaixada norte-americana em Jerusalém, programada para 14 de maio (aniversário de 70 anos de Israel), conforme a decisão tomada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em 6 de dezembro de reconhecer a cidade como a capital do Estado judeu.
Desde sua criação, Israel considera Jerusalém sua capital, diferentemente da comunidade internacional, para quem ela é Tel Aviv. É lá que ficam todas as embaixadas, incluindo a do Brasil.
Israel conquistou a porção Oriental de Jerusalém em 1967, anexando-a em seguida e declarando toda a cidade como sua capital. A medida não foi reconhecida nem pelos EUA nem pela comunidade internacional,
A última rodada de conversas de paz sobre a criação de um Estado palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza fracassou em 2014.
Israel afirma que Jerusalém é sua capital eterna e indivisível, e os palestinos querem a parte oriental da cidade como capital de um Estado independente futuro.
Em março o presidente da Guatemala, Jimmy Morales, disse que seu país transferirá sua embaixada de Tel Aviv para Jerusalém no dia 16 de maio, dois dias após a transferência norte-americana.
Em abril o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, disse que atualmente “ao menos meia dúzia” de países estão “debatendo seriamente” após a iniciativa dos EUA, mas não os identificou.
O governo brasileiro informou no mês passado que, ao menos por ora, não pretende mudar sua embaixada.
Em dezembro, 128 nações aprovaram uma resolução não vinculante no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) pedindo que Washington recue em seu reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel. Nove votaram contra, 35 se abstiveram e 21 não depositaram seu voto.
Em visita ao ditador venezuelano, Nicolás Maduro, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, pediu nesta segunda aos países da região que não sigam os exemplos guatemalteco e paraguaio.
"Esperamos que alguns países do continente americano não mudem suas embaixadas para Jerusalém porque isso contradiz a legalidade internacional."
Ele manifestou o interesse por retomar negociações com Israel, com base nas leis internacionais, e agradeceu o anfitrião pelo repúdio à decisão de Trump, um dos principais desafetos do chavista.
CRONOLOGIA
Transferência da embaixada americana para Jerusalém
6.dez.2017
O presidente americano, Donald Trump, anuncia o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, ordenando a transferência da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém
11.dez.2017
A União Europeia rejeita o anúncio americano e afirma que nenhum de seus países transferirá embaixadas para Jerusalém
13.dez.2017
Mais de 50 países da Organização para Cooperação Islâmica aprovam moção rejeitando a decisão de Trump
21.dez.2017
A Assembleia Geral das Nações Unidas aprova resolução declarando nulo o status de Jerusalém como capital de Israel: 128 países votam a favor, 9 contra e 35 se abstêm
24.dez.2017
O governo de Guatemala anuncia que será o segundo país a transferir a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém
23.fev.2018
O Departamento de Estado americano anuncia que a transferência da embaixada acontecerá em maio
4.mar.2018
O presidente da Guatemala, Jimmy Morales, anuncia que a embaixada de seu país em Israel também será transferida em maio
27.mar.2018
Israel aprova a mudança temporária de status do consulado americano localizado no bairro de Arnona, em Jerusalém, para embaixada
REUTERS
Presidente paraguaio deve abrir nova instalação diplomática até o fim deste mês
7.mai.2018 às 16h35
JERUSALÉM
O Paraguai transferirá sua embaixada em Israel para Jerusalém até o fim deste mês, anunciaram um porta-voz do governo paraguaio e o Ministério das Relações Exteriores israelense nesta segunda-feira (7).
A decisão segue exemplo dos Estados Unidos e da Guatemala.
“O presidente do Paraguai, Horacio Cartes, planeja vir a Israel até o final do mês para abrir uma embaixada em Jerusalém”, disse o porta-voz da chancelaria israelense, Emmanuel Nahshon, em um comunicado.
O governo paraguaio disse que Cartes prepara uma viagem a Israel nos dias 21 e 22. Diplomatas afirmaram à agência de notícias AFP que o processo da mudança está em andamento e que ele poderia participar da inauguração, junto com o presidente eleito, Mario Abdo Benítez.
O anúncio acontece uma semana antes da abertura da embaixada norte-americana em Jerusalém, programada para 14 de maio (aniversário de 70 anos de Israel), conforme a decisão tomada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em 6 de dezembro de reconhecer a cidade como a capital do Estado judeu.
Desde sua criação, Israel considera Jerusalém sua capital, diferentemente da comunidade internacional, para quem ela é Tel Aviv. É lá que ficam todas as embaixadas, incluindo a do Brasil.
Israel conquistou a porção Oriental de Jerusalém em 1967, anexando-a em seguida e declarando toda a cidade como sua capital. A medida não foi reconhecida nem pelos EUA nem pela comunidade internacional,
A última rodada de conversas de paz sobre a criação de um Estado palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza fracassou em 2014.
Israel afirma que Jerusalém é sua capital eterna e indivisível, e os palestinos querem a parte oriental da cidade como capital de um Estado independente futuro.
Em março o presidente da Guatemala, Jimmy Morales, disse que seu país transferirá sua embaixada de Tel Aviv para Jerusalém no dia 16 de maio, dois dias após a transferência norte-americana.
Em abril o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, disse que atualmente “ao menos meia dúzia” de países estão “debatendo seriamente” após a iniciativa dos EUA, mas não os identificou.
O governo brasileiro informou no mês passado que, ao menos por ora, não pretende mudar sua embaixada.
Em dezembro, 128 nações aprovaram uma resolução não vinculante no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) pedindo que Washington recue em seu reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel. Nove votaram contra, 35 se abstiveram e 21 não depositaram seu voto.
Em visita ao ditador venezuelano, Nicolás Maduro, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, pediu nesta segunda aos países da região que não sigam os exemplos guatemalteco e paraguaio.
"Esperamos que alguns países do continente americano não mudem suas embaixadas para Jerusalém porque isso contradiz a legalidade internacional."
Ele manifestou o interesse por retomar negociações com Israel, com base nas leis internacionais, e agradeceu o anfitrião pelo repúdio à decisão de Trump, um dos principais desafetos do chavista.
CRONOLOGIA
Transferência da embaixada americana para Jerusalém
6.dez.2017
O presidente americano, Donald Trump, anuncia o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, ordenando a transferência da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém
11.dez.2017
A União Europeia rejeita o anúncio americano e afirma que nenhum de seus países transferirá embaixadas para Jerusalém
13.dez.2017
Mais de 50 países da Organização para Cooperação Islâmica aprovam moção rejeitando a decisão de Trump
21.dez.2017
A Assembleia Geral das Nações Unidas aprova resolução declarando nulo o status de Jerusalém como capital de Israel: 128 países votam a favor, 9 contra e 35 se abstêm
24.dez.2017
O governo de Guatemala anuncia que será o segundo país a transferir a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém
23.fev.2018
O Departamento de Estado americano anuncia que a transferência da embaixada acontecerá em maio
4.mar.2018
O presidente da Guatemala, Jimmy Morales, anuncia que a embaixada de seu país em Israel também será transferida em maio
27.mar.2018
Israel aprova a mudança temporária de status do consulado americano localizado no bairro de Arnona, em Jerusalém, para embaixada
REUTERS
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